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CONVÍVIO |
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PLANÍCIE
Não sei do tempo
O tempo que edifico
Sei de mim o pouco que enxergo
Procuro-me no espelho dos teus olhos
E sinto-me planície,
E percorrem-me riachos,
O corpo estremece-me
Ao contacto dos teus lábios
Assim fosse a realidade
Tornada aragem
A aflorar as ramadas da paisagem
Neste oásis em que mergulho
E na imensidão da viagem
Não fora o tempo
Uma forma de miragem.
Jbrel
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SONHO CRISTALINO
Nas águas translúcidas do regato
Que por entre penhascos, arvoredo
E farrapos esbranquiçados de fina neve
Desce serra abaixo impetuoso
Correndo para os braços do largo rio.
Também eu caminho ao teu encontro
Impaciente poe saborear a doçura dos teus lábios
Entre os teus braços o meu corpo aconchegar
Sabendo-me mimado pela meiguice dos teus dedos
Como o profundo e vasto oceano
Acolhe benevolente as brandas e caprichosas águas
Que rolam irrequietas rasgando a montanha
E espraiam-se nas planícies
Misturadas nas das mansas do enorme curso
Que no mar irá provar o sabor do sal.
Assim eu demando nos teus olhos
Descobrir consentimento para os meus desejos
E repousando no teu ombro a serenidade encontrada
Enfrentamos de mãos dadas uma una caminhada.
Jbrel
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CONFORTO
Vem mão inconformada
Pousar nas minhas
Ansiosas de afagos e carícias
Como uma criança mimada.
Venham lábios rosados
Aclarar meus olhos
Sedentos de novas formas
Como um menino de saber insaciável.
Venham, que ao ouvir-vos os passos
Enfeitarei a voz de palavras melodiosas
Como o trinar da ave
Ao abrir da porta do cativeiro.
Venham amigos e tragam rosas.
Jbrel
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UM LAMENTO
Uma desagradável humidade
Penetrou-me nos ossos
O tempo está cinzento
Chove copiosamente
Um frio teimoso
Fere-me a carne
E uma melancolia imensa
Apodera-se dos meus olhos.
Oiço os grossos pingos caírem
Lá fora, no mundo dos homens
Recolhido e confortado
Sou um privilegiado
Dói-me solidáriamente a alma
Pelos desafortunados
Mas não faço nada
Não empreendo nada
Não ajo com garra
Fico-me pelos piedosos consolos
A sossegarem-me o espírito
Como se esses lamentos
Esmorecessem a sina madrasta.
Mas irremediávelmente lá fora
A pobreza e a desgraça
Continuam a arrastarem-se trágicas
Pese o remorso da farsa.
Jbrel
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O INSTANTE DO PENSAMENTO
O instante do grande momento
Acontecimento agendado, desejado, previsto
Azáfama de preparativos festivos
Para dar ao evento a importância merecida.
O preciosismo da obra concluída
Encerrando nela o que foi e o que virá
Eternidade racional de facto e de vazio
Universo complexo, mistério conhecido
Na revelação simples de sons e sinais
Tudo natural como o mundo animal
Que se desenrola casual
Na melodramática bonomia intemporal.
O instante de dar e receber
Uma gota de orvalho na erva queimada
Um nada absoluto ao fundo da estrada
A razão imperiosa sem porquê espezinhada
A consciência de feito amordaçado
O grito de esperança rompendo a madrugada
A pujança do verbo rasgando a mordaça
A presença relâmpago no fulgor da batalha
Uma vitória pontual na vida fugidia
Esta noite do ser no amanhecer da euforia.
Este momento
No instante do pensamento.
Jbrel
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