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A FORÇA DAS PALAVRAS

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SONHAR


Sonhar...
Sem receio de acordar
Sonhar...
Para a vida alegrar
Sonhar...
E no sonho encontrar
Uma razão
Uma força para amar
E na quimera
Procurar uma forma de estar
Simples e justa
E em liberdade voar
Altos voos
Pelos céus tracejar
Voar...
E nas nuvens cunhar
Os símbolos do amor
As insígnias da paz
E quando à terra voltar
Uma aura cintilante espalhar
Pelas montanhas, nas planícies e no mar
E ao coração dos homens levar
O sinal da bonança
O sinal da esperança
Para que desejem e queiram
Também eles voar
Para que saibam e possam
Também eles sonhar.


Jbrel

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CÂNTICO FÚNEBRE

Quando o meu corpo tiver perdido
A vitalidade natural da vida
Quando os meus braços caírem vencidos
De muito batalhar e de fadiga
Quando a noite deixar de ser segredo
E as crianças de um sangue amigo forem adultas
Quando as palavras que davam prazer ouvir
Já não fizerem sentido
Quando o meu alento já não fizer a falta
Que alguns teimavam em dizer que fazia
Quando os meus olhos se fecharem definitivamente aqui
Para se abrirem eternamente além
Quando já não houver quando
Nesse singular instante
Em que o derradeiro olhar e a terra se misturam
Não quero que haja nas vossas almas mágoa
Para que seja nobre
O meu último suspiro

Jbrel

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HOMENAGEM A H.

Algures,
Num lugarejo onde a quietude da folhagem
Espelhava a despreocupação dos espíritos
As margaridas cresciam coloridas e viçosas
E os pensamentos jorravam livres e sinceros
A bonança era edificada ao compasso do sossego
Sem expectativas forjadas
Nem obrigações camufladas.

Algures,
No paraíso humanamente idealizado
Em que as rosas flúem como se por osmose
Numa partilha comum e desinteressada
Os jasmins polvilham prados cuidados
Com a paixão da habilidade e do carinho
Com que se grangeia a obra feita doçura.

Algures,
Nesse invento utópico do amor sem limites
Onde o único limite é o respeito por nós próprios
Cresce na anárquica filosifia libertária
O gosto pela integridade humana
Na sua singela magnitude
Porque a simplicidade adquire o valor do belo
E o pensamento, a labuta, os sentimentos,
A integridade humana são por si só
A razão imperativa e imperiosa
De tentar forjar o mundo mais perfeito.

Jbrel

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HOMENAGEM A B.


Inventámos a paixão com carácter de urgência
E refugiámo-nos no nosso ninho de quimeras
Um fugaz encontro, a brevidade da troca de olhares
A cumplicidade das palavras
A perfeita perfeição de nos acoplarmos um ao outro
Como se sempre tivessemos sido um todo
Unos e indivisíveis naturalmente
No pensamento, na carne e nos sentidos
Amor relâmpago
Primáriamente fértil
Absolutamente completo
Achado único
Na diversa complexidade humana
Assim nos encontrámos
Pela primeira vez
E nesse instante edificámos
A amizade plena de que nos orgulhamos.

Jbrel

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OS LOUROS

Se num assomo de coragem
Abdicasse e partisse sem me voltar para trás
Consciente de que o que ficou
Não será jamais que uma miragem
Que como as neves primaveris o sol liquefaz
E esse mundo que acabou
Tornou-se um ponto de passagem
Para uma nova epopeia
Que despertará na alvorada
Agradável como uma fresca aragem
A afagar-me a face na tarde tórrida da viagem.

Se num assomo de lucidez
Face rasgando a brisa das dúvidas
Encontrasse um porto onde ancorar
E nesse novo destino
Pudesse tudo recomeçar
Do nada, dos alicerces,
Até a obra se completar
E fosse essa nova construção
Feita sem os erros antanho cometidos
Nesse instante grandioso
Em que a perfeição seria absoluta
Saberia estar perto a meta
Se bem que utópica e improvável
E satisfeito repousaria
Sobre os louros de uma vitória fugidia.

Jbrel

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ALMA ERRANTE


Alma errante
Coração ausente
Vida apática
Futuro indiferente
Projectos despedaçados
Sonhos em cinzas
Mente vedada à fantasia
Olhos inflamados
Na noite do pleno dia
Minha sina fatídica
Da esperança arredia
Nesta hora cantada
Por me minguar a alegria.


Jbrel

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UM LAMENTO

Uma desagradável humidade
Penetrou-me nos ossos
O tempo está cinzento
Chove copiosamente
Um frio teimoso
Fere-me a carne
E uma melancolia imensa
Apodera-se dos meus olhos.

Oiço os grossos pingos caírem
Lá fora, no mundo dos homens
Recolhido e confortado
Sou um privilegiado
Dói-me solidáriamente a alma
Pelos desafortunados
Mas não faço nada
Não empreendo nada
Não ajo com garra
Fico-me pelos piedosos consolos
A sossegarem-me o espirito
Como se esses lamentos
Esmorecessem a sina madrasta.

Mas irremediávelmente lá fora
A pobreza e a desgraça
Continuam a arrastarem-se trágicas
Pese o remorso da farsa.

Jbrel

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EU

Eu, sou eu mesmo
Somente eu
Aquilo que quis ser ontem
Hoje e sempre
Eu, sem máscaras nem mentiras
Encontrei-me a mim finalmente.

O outro eu
É um sonho já esquecido
Hoje sou aquilo que sempre quis
Encontrei enfim o meu destino
E o sossego volta a mim
Pausadamente.

Mas...
Sou eu verdadeiramente?
Ou serei uma miragem do meu sub-consciente
Ou talvez sonhe...
Novamente.

É esta incerteza que me abate
É ainda a vida que me mente
E quem me dera ser eu

E verdadeiramente.

Jbrel

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DESCONHECIDA

Não tenho mais tempo!
Para esperar um conto de fadas doirado
O meu presente é um estado descontente
Em que insatisfeito me debato conturbado.
Os meus sonos são sobressaltados e revoltos
Porque te imagino caída noutros braços
Tu ò amante que nem sequer és real
Fazes-me agitar em imensos cansaços
Como se de novo voltasse a ser colegial.
Se fosse possível banhar-me em fantasias
E nessas ablações as minhas feridas sarassem
Tu serias a minha fonte de alegrias
Que em vistosos repuxos continuamente jorrassem.
Serias ainda a razão consistente
Para não esmorecer nesta cruzada constante
Em que me perco e me encontro
Porque hebdomadáriamente me busco com afinco.
Pudesses dar-me um rumo e um caminho
Tu ò desconhecida que já julgo confidente
Tornar-te-ias o meu desejo precioso
O meu conforto e a minha incontida alegria.
Assim não fossem estes versos uma súplica
Para ti ò amiga que espero encontrar
E sei que existirás no meu caminho
Porque te procuro no despontar de cada dia.

Jbrel

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ELEGIA

Abre os braços ao dia e sorri
Estás viva, de saúde e com bom vento
Até esses teus íntimos sentimentos
Se materializam ao passar do tempo.

Agarra-te à vida com tenacidade
E com muita força de vontade
Transforma os teus sonhos em realidade
E envolve-te resoluta em originalidade.

Não te voltes para trás! Esquece as dificuldades
Abre-se a teus pés um caminho alegre
Segue-o! Pois caso seja ele belo mas breve
Fundindo-te nele, ganharás cumplicidades.

Não te questiones que as dúvidas são nefastas
Antes expõe de ti o saber e o querer
Demonstra que a vontade é a força de vencer
E que não te perdes já em querelas gastas.

Dá primazia à amizade, ao amor e à bondade
Sem que seja isso prenúncio de santidade
Antes uma demonstração de desprendida humanidade
Para te sentires bem contigo e perante a sociedade.

Não pretendas no entanto fazer de ti um mito
As obras nobres são simples e incógnitas
Não te recuses apesar disso a elevar o teu grito
Para despertar para a vida esperanças semi-mortas.

Faz enfim de ti um exemplo desobrigado
Uma referência que não tenha cunho marcado
Uma existência fulgurante e de bom grado
A serenidade de ser vivência sem pecado.

Jbrel

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FALTA DE RUMO

Não tenho sentido
Falta-me um rumo
Uma direcção
Um objectivo
Um destino consistente e definido
Que me possa alimentar a sede
Desta ânsia enorme de viver.

Não tenho o Beijo
Dos beijos por lembrança
Nem a presença do teu corpo a dar-me segurança
Falta-me o calor dos teus olhos
Como falta a uma criança
Os ternos e maternais carinhos.

Sinto-me neste estado a definhar
Desconhecendo a forma de te encontrar
E perdido pergunto-me como te hei-de achar
Neste negro quadro que estou a desenhar.

Jbrel

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Foste para o lado oposto
E fiquei só
Murmurando frases desconexas
Miragem vaga, distante
Sensação do nada absoluto
De estar vazio
Oco
Repleto de pensamentos abstractos
Tão só

Fiquei
Quando te vi partir
E não tive a coragem
De te impedir.

Jbrel

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PALAVRAS

A mentira por verdade quero impingir
Não é a vida uma falsa jogada
Por isso escrevo para fingir
Tirar da boca a cavilha da granada.

Vale-me de pão a fúria insatisfeita
Com que ao longo do tempo tenho preenchido a vida
Todas as noites chegado á cama encontro-a desfeita
E deitando-me beijo a penumbra em debandada.

Despertada a manhã o sol ou a chuva chamam-me á luta
Á luta sim, que eu sou cobarde mas soldado
A cada hora o perigo aperta que até julgo deixar de luto a vida
Mas eu venço a batalha saindo dela esfarrapado.

Esperanças vagas já não tenho
Sei que é duro o caminho da glória
E em aceitando a mentira por verdade
Cá vou gravando o meu nome na história.

Jbrel

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